O regresso desastroso de Conor McGregor: lesão e controvérsia no UFC 329
O mundo das artes marciais mistas ainda está a recuperar das consequências do UFC 329, onde o tão esperado regresso de Conor McGregor terminou numa dolorosa derrota frente a Max Holloway. McGregor, que não lutava desde que fraturou a perna em 2021, foi derrotado por Holloway no segundo assalto. Nos dias que se seguiram, vários lutadores e analistas deram a sua opinião sobre o que correu mal.
Israel Adesanya foi um dos primeiros a sugerir que McGregor entrou no octógono já em desvantagem. «Tenho olhos», afirmou Adesanya a 16 de julho de 2026, acrescentando que suspeitava que McGregor estivesse lesionado antes mesmo de entrar no octógono. O próprio McGregor pediu que o resultado fosse anulado, alegando que o combate deveria ser considerado «no contest». O seu treinador, John Kavanagh, descreveu em pormenor o momento em que a lesão ocorreu, embora a natureza exata da mesma continue por revelar.
McGregor também recebeu apoio de fontes inesperadas. Dillon Danis lançou uma defesa apaixonada do seu «irmão», dizendo aos críticos que não deviam gozar com o irlandês. Colby Covington, que tem a sua própria rivalidade com Dustin Poirier, defendeu McGregor do que chamou de ataques de «fraude». Entretanto, figuras como Frankie Edgar e Michael Bisping apresentaram perspetivas ponderadas sobre o desejo do antigo campeão de continuar a perseguir a glória.
O evento em si atraiu quase 16 milhões de espectadores, uma prova do inegável carisma de McGregor, mesmo na derrota. Mas a derrota levanta sérias questões sobre se ele alguma vez conseguirá recuperar a sua antiga posição no UFC. Michael Chandler, que estava inicialmente previsto para lutar contra McGregor, desmentiu as teorias da conspiração sobre a lesão, afirmando: «Ele não é um desistente.»
Jon Jones admite ter-se sentido intimidado por Ciryl Gane e ambiciona revanche contra Aspinall
Noutro desenvolvimento, o campeão dos pesos pesados Jon Jones falou abertamente sobre a sua vitória no primeiro assalto sobre Ciryl Gane no UFC 285, em 2023. Numa declaração a 16 de julho de 2026, Jones admitiu que o físico e o conjunto de habilidades de Gane o «intimida» antes do combate. «Estava nervoso, não vou mentir», disse Jones. «Ele é um homem perigoso.»
Jones prosseguiu, prevendo uma potencial revanche entre Gane e o campeão interino Tom Aspinall. Apostou na vitória de Gane nesse combate, citando a versatilidade do francês nos golpes e a sua melhoria na defesa contra derrubadas. «O Aspinall é duro, mas o Ciryl evoluiu desde que lutámos. Acho que ele vai ganhar a revanche», acrescentou Jones.
Estes comentários surgem no meio de especulações contínuas sobre o próprio futuro de Jones. Ele tem manifestado repetidamente interesse numa superluta de boxe com Oleksandr Usyk, mas apresentou contrapropostas cujos termos o ucraniano ainda não aceitou. Jones também recusou um combate agendado com Aspinall no início deste ano, o que levou à criação do título interino.
Dana White manifestou frustração com a inatividade de Jones, mas o campeão continua a ser uma figura central na divisão. Se Gane e Aspinall fizerem a revanche, o vencedor enfrentaria provavelmente Jones pelo título indiscutível ainda em 2027.
Dricus du Plessis enfrenta Kamaru Usman no UFC Oklahoma City
O candidato ao título dos médios, Dricus du Plessis, regressa à ação este sábado no UFC Oklahoma City contra o antigo campeão dos meio-médios, Kamaru Usman. O combate é um momento decisivo para ambos os lutadores. Du Plessis perdeu o seu título dos médios numa decisão unânime e unilateral a favor de Khamzat Chimaev no UFC 319, em agosto de 2025. Ele admitiu esta semana que foi difícil aceitar a derrota: «Não há nada a fazer», afirmou.
Agora, du Plessis planeia provar que continua a ser «o melhor do mundo». O seu treinador, Morne Visser, acredita que uma vitória sobre Usman lhes garantirá uma oportunidade pelo título. «Todos vimos o que o Dricus fez ao Khamzat no início do combate», disse Visser, referindo-se a um primeiro assalto competitivo antes de o wrestling de Chimaev assumir o controlo. Visser também alertou Usman para não se envolver numa troca de golpes com du Plessis.
Usman, por seu lado, recordou as sessões de sparring com du Plessis há alguns anos. «Ele dá golpes fortes», disse Usman a 16 de julho de 2026. «Mas já lutei contra os melhores. Não estou intimidado.» Usman afirmou recentemente que uma vitória sobre du Plessis poderia garantir-lhe um combate contra Sean Strickland ou Islam Makhachev a seguir, dependendo dos planos do UFC.
O cartaz conta ainda com estreantes invictos e uma luta co-principal na categoria dos pesos-médios entre Colby Covington e um adversário ainda por anunciar. O UFC Oklahoma City será um campo de provas crucial para a divisão dos pesos-médios.
O que se segue para as estrelas do MMA
O futuro imediato de Conor McGregor continua incerto. Ele deu a entender que poderá haver uma revanche com Holloway, mas o UFC poderá preferir marcá-lo contra Michael Chandler, um combate que tem vindo a ser antecipado há anos. Dadas as preocupações com lesões, parece provável que haja um período de recuperação. O treinador de McGregor, John Kavanagh, não descartou um regresso no início de 2027, mas a janela de oportunidade para uma disputa pelo título está a estreitar-se à medida que o lutador de 38 anos envelhece.
Para Jon Jones, o caminho é igualmente incerto. Um combate de boxe com Usyk seria a maior oportunidade financeira da sua carreira, mas a relutância do UFC em fazer promoção cruzada tem travado as negociações. Entretanto, o vencedor de uma potencial revanche entre Gane e Aspinall poderá forçar a mão de Jones. Espera-se que a situação fique esclarecida até ao final de 2026.
Dricus du Plessis enfrenta uma situação em que a vitória é imprescindível. Uma derrota frente a Usman levá-lo-ia a duas derrotas consecutivas e provavelmente afastá-lo-ia da disputa pelo título. Uma vitória, no entanto, coloca-o em posição de disputar uma revanche com Chimaev ou uma oportunidade pelo título contra Strickland, especialmente se Strickland derrotar Chimaev na sua rumada revanche. A divisão dos médios está em constante mudança, e o desempenho de du Plessis no UFC Oklahoma City terá repercussões no ranking.
Outras consequências importantes de uma semana agitada nos desportos de combate
Para além das notícias de destaque, vários outros desenvolvimentos merecem atenção. Justin Gaethje perdeu o prémio ESPY de «Lutador do Ano» para o pugilista Terence Crawford, o que levou o seu agente a classificar a decisão de «louca». Gaethje também descartou a ideia de uma revanche com Paddy Pimblett, afirmando que não está «destinado» a esse combate. Pimblett, por sua vez, conseguiu uma espetacular finalização no UFC 329 e pediu um combate com Ilia Topuria, embora Michael Bisping duvide que Topuria ainda queira esse confronto.
Cody Garbrandt sofreu mais uma derrota por nocaute perante Adrian Yanez no UFC 329 e escreveu uma mensagem enigmática sobre o seu futuro. TJ Dillashaw disse sentir-se «deprimido» com as dificuldades contínuas do seu antigo rival. Garbrandt insistiu que ainda não se vai reformar, mas, aos 34 anos, o tempo está a esgotar-se para o antigo campeão dos pesos-galos.
Noutras notícias, Jake Paul continua a tentar marcar um combate com Nate Diaz no MMA, ao mesmo tempo que se mostra aberto a um combate de boxe contra Floyd Mayweather. Jon Jones também fez uma contraproposta a Usyk, e Khamzat Chimaev continua a pressionar por uma revanche com Sean Strickland. O desporto avança a um ritmo implacável e todas as semanas trazem novos enredos. O UFC 329 pode ter terminado, mas a discussão em torno dele está longe de ter acabado.