Mario sentou-se na manhã seguinte à sua vitória no UFC Paris sobre Ryan Spann para analisar tudo o que aconteceu — desde a entrada caótica sem música de ringue, passando por ter sobrevivido à tempestade inicial, ter conquistado o bónus de 100 mil e explicar porque é que as pessoas têm de deixar de subestimar os pesos pesados. Esta entrevista é crua, autêntica e sem filtros.
Veja a entrevista completa abaixo:
Sem música, sem aquecimento, sem problema
As coisas não correram exatamente como planeado antes mesmo do combate começar. O UFC informou o Mário de que não haveria música de entrada — estavam atrasados. Ele teve de se preparar dentro do vestiário, sem camisa, com a vaselina aplicada mais cedo. Foi por isso que entrou sem camisa. A música de entrada que ele tinha vindo a preparar para Paris? Desapareceu. «Era suposto ser aquela, meu, especialmente em Paris. Tiraram-ma.»
Para além disso, os seus treinadores não foram autorizados a vê-lo antes de ele entrar no octógono. O Spann tinha a sua equipa ali mesmo com ele. O Mario não. O Stu gritava-lhe à distância para se manter concentrado. Não foi propriamente a preparação ideal, mas adaptámo-nos.
Os primeiros 22 segundos
Se viste o combate, sabes que o Spann entrou logo a dar socos com más intenções. O Mario fala sobre o que lhe passava pela cabeça quando levou um golpe certeiro logo no início: «Não acaba enquanto não acabar. Até ficar completamente inconsciente, só me dizia a mim mesmo que ainda não estava acabado.»
Mesmo quando o Spann aplicou uma guilhotina e disse ao seu canto: «Apanhei-o», o Mario não se deixou abater. «Que raio apanhaste? Não tens nada, mano.» Às vezes, temos simplesmente de acreditar em nós próprios, mesmo quando a situação está feia.
A virar o jogo
Depois de resistir àquela tempestade inicial, o Mario assumiu o controlo. A equipa técnica dizia-lhe para se manter em cima do Spann, não o deixar recuperar, manter a pressão. «Ele já está no fundo da piscina, por isso mantém a cabeça dele lá em baixo.» Um grande agradecimento ao Ronaldo por ter levado a forma física do Mario a um nível em que ele conseguisse aguentar aquelas trocas iniciais e ainda assim sair fresco.
O discurso pós-combate
Já sabem que os discursos pós-combate do Mario são diferentes. Este foi sobre o respeito pela divisão dos pesos pesados. «Todos dizem que somos apenas palhaços, mano. Gozam connosco, mas viram o que aconteceu. Basta um soco. Estão a gozar com as pessoas mais perigosas do mundo.»
Ele também teve algo a dizer sobre a cultura online em torno das derrotas: «Quando perdes, meu, perdes por tua conta e as pessoas tentam simplesmente destruir-te. Desumanizam-te.» Uma mensagem adequada para quem se esconde atrás de um ecrã.
Respeito pelo Spann
O Mario foi claro ao afirmar que as pessoas subestimaram imenso o Ryan Spann. «A maioria das pessoas não percebe nada de lutas. A forma como ele derrotou o Dominic Reyes… este tipo é a sério.» Os dois tiveram um bom momento nos bastidores depois do combate. Respeito mútuo.
Bónus de 100 mil
O Mario ficou a saber do bónus de desempenho enquanto estava num restaurante. «Disseram-me que recebi aqueles 100 mil.» Mas, como explica no vídeo, isto não é um sucesso da noite para o dia. Ele tem-se esforçado desde os 13 anos — a trabalhar como segurança, em abrigos para sem-abrigo, em turnos da noite, turnos de 12 horas, tudo isto enquanto treinava. O bónus é conquistado, não é oferecido.
O que se segue
Recuperação, um casamento, talvez Portugal, talvez a Ásia. «Preciso de ir à praia, meu. Perdi todo este verão por causa deste combate.» Quanto ao futuro — já sabem. Bing, bash, bosh. Em breve voltamos a lutar.
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